Tempo ganho

19:56

Algo nos dizia que vínhamos para o sítio certo, que era mesmo aqui que os dias iam ser maiores, mais cheios e com mais ar para respirar. Sair da cidade consegue ser libertador, quase que ganhamos asas, as memórias até falam mais alto e o tempo é sempre um tempo ganho, principalmente quando se vai com irmãos atrás e o campo é-nos tão familiar, tanto quanto as saudades de quem nos ensinou a brincar lá fora. 

Quinta do Rapozinho, em Cabeceiras de Basto, é a história de uma família que se junta e que se dedica a partilhar incansavelmente, é uma família que abre as portas para receber, que partilha com todos um lugar por onde já passaram muitas gerações, onde se viveram muitas alegrias, onde tanta gente trabalhou, onde se correu, brincou, onde se fizeram enormes tapetes de flores, onde se ouviam histórias. Enfim, é mesmo um lugar por onde a vida andou a correr livremente, a abraçar todos os que por aqui passam. 


Ficámos na Casa dos Palheiros, uma das muitas casas que se espalham pela quinta, neste caso eram dois palheiros antigos, agora unidos numa casa só, cuidadosamente regenerada e decorada. Bem diziam que a palavra regenerar era um dos segredos da quinta, mas depois de lá estar fica a certeza. Tudo é aproveitado com cuidado, bom gosto e sobretudo com muita estima e respeito pelo passado e pelas raízes. 

Os dias passaram por entre caminhadas, banhos na barragem do Oural e no Açude do Júlio, um piquenique, o pequeno-almoço com o pão fresco pendurado na porta, um jantar maravilhoso, os olhos postos na natureza e os sentidos atentos às histórias. Dizer que o tempo voou não seria justo porque aqui os dias estendem-se, perco-os de vista na paisagem e nas pessoas que encontro. 


















You Might Also Like

2 comentários

Subscribe